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Terremotos levam sistema de saúde da Venezuela ao colapso

Com estrutura hospitalar afetada e escassez de medicamentos, Venezuela recebe apoio de mais de 30 países

reprodução

Uma semana após a sequência de terremotos que atingiu a Venezuela, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que o sistema de saúde do país opera no limite e enfrenta um cenário considerado caótico. Hospitais danificados, falta de profissionais, escassez de medicamentos e o aumento do risco de doenças agravam a crise humanitária, enquanto equipes de resgate seguem procurando sobreviventes entre os escombros.

O governo venezuelano informou nesta terça-feira (30) que o número de mortos chegou a 1.943. Milhares de pessoas continuam desaparecidas e dezenas de milhares permanecem desabrigadas.

Segundo a OMS, nove hospitais tiveram suas estruturas comprometidas pelos tremores e precisaram reduzir ou suspender atendimentos. A situação ficou ainda mais crítica porque médicos e enfermeiros também estão entre os desaparecidos.

Além do atendimento aos feridos, as autoridades sanitárias enfrentam dificuldades para garantir medicamentos, insumos e assistência básica à população afetada.

A organização também alertou para o risco crescente de surtos de doenças como dengue e febre amarela, agravado pelas condições precárias enfrentadas por milhares de desabrigados.

Brasil reforça missão humanitária
O Brasil ampliou sua atuação na ajuda internacional à Venezuela. A Marinha instalou um hospital de campanha em La Guaira, com capacidade para atender cerca de 150 pessoas por dia.

Nesta terça-feira, a Força Aérea Brasileira enviou o quinto voo humanitário transportando mais de cinco toneladas de medicamentos, equipamentos e materiais destinados à ampliação da estrutura médica.

Ao todo, a missão brasileira contará com aproximadamente 100 militares, entre profissionais de saúde e fuzileiros navais. Também participam das operações 71 bombeiros de São Paulo, Minas Gerais e Paraná, além de quatro especialistas da Defesa Civil.

O ministro da Defesa, José Múcio, visitou as equipes brasileiras mobilizadas e reuniu-se, em Caracas, com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez.

Mais de 30 países enviaram apoio humanitário ao país. Segundo informações oficiais, cerca de 3,6 mil socorristas estrangeiros atuam nas operações de busca e salvamento. Os Estados Unidos enviaram mais de 300 integrantes das equipes de emergência, além de aeronaves, navios e caminhões adaptados para funcionar como ambulâncias.

As operações de resgate seguem em andamento, enquanto organismos internacionais alertam que a assistência humanitária continuará sendo essencial nas próximas semanas para evitar o agravamento da crise.