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Palacete e jardins da Casa Firjan são tombados pelo Iphan como patrimônio nacional

Construído entre 1900 e 1906, o edifício foi um presente de casamento de Candido Gaffré a Celina Guinle, filha de seu sócio Eduardo Guinle

Imagem: Reprodução

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) aprovou o tombamento federal do Palacete Linneo de Paula Machado, atual sede da Casa Firjan, em Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro. A decisão reforça a proteção do imóvel, considerado um dos principais exemplares da arquitetura renascentista francesa em estilo beaux-arts no país.

Construído entre 1900 e 1906, o palacete foi um presente de casamento de Candido Gaffré para Celina Guinle, filha de seu sócio Eduardo Guinle. O nome do imóvel faz referência a Linneo de Paula Machado, fundador do Jockey Club Brasileiro.

A proposta de tombamento já havia sido defendida em 1990 pelo urbanista Lúcio Costa. Na ocasião, ele destacou o conjunto arquitetônico como um dos mais refinados exemplos do estilo beaux-arts da virada do século XX no Rio de Janeiro, ressaltando a organização dos espaços e a individualização dos ambientes da residência.

Relatora do processo no Iphan, Raquel Furtado Schenkman Contier ressaltou que o imóvel está localizado na área de amortecimento do sítio “Rio de Janeiro, Paisagens Cariocas entre a Montanha e o Mar”, reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco. Segundo ela, a preservação deve contemplar não apenas a edificação, mas também sua relação com a paisagem urbana e a abertura dos jardins ao público.

“Interessa preservar, portanto, não apenas um imóvel luxuoso de família influente em estilo francês, mas sua situação na paisagem carioca e sua relação com sua vizinhança ao manter-se aberto, com a fruição de seus jardins, bem como a capacidade de adaptar-se a novos usos e possibilidades”, afirmou.

O imóvel já contava com proteção em outras esferas. Em 1987, foi tombado pelo Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH) e, em 2006, recebeu o reconhecimento do Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac).

Durante a reunião do Conselho Consultivo do Iphan, conselheiros sugeriram a atualização do nome oficial do bem para incluir Celina Guinle. A proposta foi defendida pela conselheira Natália Vieira, que destacou a importância de dar visibilidade à participação feminina na história.

“Faz o resgate da figura da Celina Guinle, para que não ocorra a invisibilização de mais uma mulher”, declarou.

Presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano afirmou que o reconhecimento federal representa uma valorização do trabalho de preservação realizado pela instituição e das atividades abertas ao público promovidas no espaço.

“Isso celebra o cuidado que temos com nosso patrimônio e todas as iniciativas e programas que possibilitam o acesso da sociedade a este espaço e às discussões contemporâneas que promovemos na Casa Firjan”, disse.

Já o conselheiro Bernardo Souza destacou a importância do uso social do imóvel e alertou para a necessidade de acompanhamento contínuo na conservação do patrimônio histórico.

“Mesmo com todas as regras de proteção, lentamente vão se perdendo pequenas coisas sem a preservação do Iphan”, observou.