A saída do senador Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil, cerca de 48 horas depois de perder a eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), é reprovada por 62% dos brasileiros. É o que aponta uma pesquisa inédita da Quaest, intitulada “O Brasil depois das urnas”. Apenas 29% dos entrevistados consideram correta a decisão de viajar para os Estados Unidos.
O levantamento, divulgado pelo jornal O Globo, mostra que 56% dos brasileiros acreditam que Flávio deixou o país para fugir da Justiça. Outros 35% avaliam que o senador viajou para se proteger de uma suposta perseguição política.
A avaliação ocorre em meio a investigações no Supremo Tribunal Federal (STF), que envolvem o Banco Master e o advogado Willer Tomaz, amigo do parlamentar. Uma das apurações busca esclarecer suspeitas sobre R$ 134 milhões que teriam sido solicitados por Flávio ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre a trajetória de Jair Bolsonaro, chamado “Dark Horse”. Outra investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo empresas ligadas a Tomaz.
Direita apresenta divisão sobre atitude do senador
A pesquisa também revela divergências dentro da direita. Entre os entrevistados que se identificam com esse campo político, mas não são bolsonaristas, 46% aprovam a viagem de Flávio aos Estados Unidos, enquanto 45% desaprovam. Sobre o motivo da saída do país, 42% acreditam que o senador pretende fugir da Justiça, enquanto 51% consideram que ele busca proteção contra uma suposta perseguição política.
Para o diretor da Quaest, o cientista político Felipe Nunes, os números mostram uma divisão entre grupos que estiveram unidos durante a eleição principalmente pela oposição ao PT. Segundo ele, a postura de Flávio pode abrir espaço para outras lideranças assumirem o comando da oposição ao governo Lula.
Questionamento das eleições também é rejeitado
Outro dado do levantamento mostra que 59% dos brasileiros desaprovam a decisão de Flávio de questionar o resultado das eleições, enquanto 34% apoiam a atitude. Entre os próprios eleitores do senador, 21% discordam da contestação do resultado e 24% avaliam que ele se comportou mal depois da derrota.
Apesar disso, 30% dos entrevistados ainda acreditam que houve fraude na eleição presidencial. Entre os eleitores de Flávio, esse percentual chega a 64%. Outros 28% desse grupo reconhecem que a disputa ocorreu de maneira limpa e justa.
A pesquisa também comparou a reação dos brasileiros ao comportamento de Jair Bolsonaro após a derrota eleitoral de 2022 com a avaliação sobre Flávio em 2026. Os números mostram que o senador enfrenta uma rejeição maior. Enquanto 41% aprovavam a postura do ex-presidente depois da derrota, apenas 25% avaliam positivamente o comportamento do filho. Já a desaprovação chega a 60% no caso de Flávio, contra 45% registrados para Jair Bolsonaro em 2022.
Pesquisa mostra sentimentos diferentes após vitória de Lula
O levantamento também identificou as reações dos brasileiros à vitória de Lula. Entre os eleitores lulistas, a alegria é o sentimento mais citado, com 40%. Já entre os eleitores de esquerda que não se identificam diretamente com o presidente, o alívio aparece em primeiro lugar, com 34%, seguido pela alegria, com 32%.
Na direita que não se identifica com o bolsonarismo, a decepção é predominante, com 27%. Entre os bolsonaristas, a revolta aparece como principal sentimento, com 26%. Já entre os eleitores independentes, as opiniões estão mais divididas.
Para Felipe Nunes, os resultados mostram que o bolsonarismo mantém uma base fiel, mas encontra dificuldades para conquistar apoio fora desse grupo e ampliar sua influência política.
A pesquisa Quaest ouviu 2.004 eleitores entre os dias 30 de outubro e 2 de novembro de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.






