Um estudante do curso de Direito da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) foi denunciado por supostas ofensas racistas e comentários classistas contra a memória da vereadora Marielle Franco, assassinada em 2018. A parlamentar era ex-aluna da instituição. Após receber as denúncias, a universidade abriu uma investigação interna para apurar o caso.
As mensagens atribuídas ao estudante teriam sido compartilhadas em um grupo de WhatsApp de alunos no dia 13 de outubro. As capturas de tela chegaram a entidades estudantis em 29 de outubro e foram encaminhadas à universidade. Segundo Luyara Franco, filha de Marielle, o estudante teria chamado a mãe de “macaca” e questionado como ela conseguiu pagar a própria faculdade.
Nas redes sociais, Luyara repudiou os ataques e cobrou responsabilização. “Mesmo depois de ser assassinada, continua sendo alvo de racismo. Isso não é brincadeira, não é opinião, não é liberdade de expressão. Racismo é crime”, escreveu.
Em nota divulgada na sexta-feira (30), a PUC-Rio informou que recebeu denúncias por meio da Ouvidoria e do Canal Externo de Denúncias e iniciou uma apuração no âmbito do Programa de Integridade.
O comunicado, assinado pela Reitoria e pela Coordenação Central de Integridade, destacou o compromisso da universidade com o combate à discriminação e repudiou qualquer manifestação racista ou preconceituosa praticada por integrantes da comunidade acadêmica.
A instituição também ressaltou a trajetória de Marielle Franco, formada em Ciências Sociais pela PUC-Rio, e sua contribuição para o debate sobre raça e gênero no Brasil.
“Racismo e injúria racial são crimes graves, que devem ser apurados pelas autoridades competentes, nos termos da lei”, afirma um trecho da nota.
A universidade não informou um prazo para a conclusão da investigação, mas declarou que está adotando as medidas administrativas e legais cabíveis. A Reitoria também reafirmou o compromisso com “uma educação antirracista e com a preservação da memória de mulheres como Marielle Franco, que é parte da história desta Universidade”.
Entidades estudantis cobram providências
O caso também provocou manifestações de coletivos de estudantes da PUC-Rio e de outras universidades. Ao todo, 45 entidades, entre elas a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a União Estadual dos Estudantes do Rio de Janeiro (UEE-RJ), divulgaram uma carta conjunta de repúdio e cobraram providências da direção da instituição.
No documento, as organizações afirmam que os ataques à memória de Marielle não representam apenas uma ofensa à sua honra, mas também uma forma de violência política, psicológica e de gênero.
A carta destaca que desrespeitar a trajetória da vereadora significa atingir a história de mulheres negras e de estudantes negros que enfrentam o racismo, o machismo e as desigualdades sociais dentro das universidades.
“Tais ataques não configuram apenas uma ofensa à sua honra, mas também uma forma de violência política, psicológica e de gênero, perpetuando a misoginia contra mulheres que ousam ocupar e transformar os espaços de poder”, diz outro trecho do documento.
Entre as reivindicações das entidades estão a implementação de ações de letramento racial para estudantes, professores e funcionários; programas permanentes de educação antirracista; valorização da produção intelectual negra; ampliação da diversidade nos quadros profissionais; e fortalecimento dos canais de denúncia e acolhimento.
As organizações defendem que a universidade adote medidas efetivas para combater o racismo e garantir um ambiente acadêmico seguro e inclusivo.






