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Brasil reduz emissões de gases do efeito estufa e atinge menor nível em oito anos

Queda de 6% em 2025 foi impulsionada pela redução do desmatamento, mas o país ainda não atingiu a meta climática e enfrenta aumento da poluição em setores como energia e resíduos.

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

As emissões de gases de efeito estufa no Brasil caíram 6% em 2025 e chegaram ao menor nível em oito anos. O país liberou 2,06 bilhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO₂e), contra 2,19 bilhões de toneladas registradas em 2024. Os dados foram divulgados pelo Observatório do Clima, nesta terça-feira (20/10), e fazem parte da 14ª edição do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG).

A redução foi impulsionada principalmente pela queda do desmatamento na Amazônia e no Cerrado. Com o resultado, o Brasil também ficou mais próximo de cumprir sua meta climática para 2025, estabelecida no Acordo de Paris. Apesar do avanço, o país terminou o ano acima do limite previsto.

As emissões líquidas, que descontam o carbono absorvido pela vegetação, caíram 9% e chegaram a 1,41 bilhão de toneladas. A meta brasileira era limitar esse volume a 1,32 bilhão de toneladas. Segundo o levantamento, o resultado ficou cerca de 6% acima do compromisso.

 

Desmatamento lidera queda nas emissões

As emissões relacionadas à mudança no uso da terra, que inclui principalmente a derrubada de florestas, caíram 15% em 2025, passando de 957 milhões para 814 milhões de toneladas de CO₂ equivalente.

Foi o segundo ano consecutivo de redução das emissões ligadas ao desmatamento em todos os biomas brasileiros. As quedas foram de 20% na Amazônia, 5% no Cerrado e na Mata Atlântica, 21% no Pampa, 18% na Caatinga e 45% no Pantanal.

Mesmo com a redução, o desmatamento continuou sendo a principal fonte de emissões do país, responsável por 39% do total registrado no ano passado. Para pesquisadores, os resultados refletem os efeitos das políticas de combate à destruição da vegetação.

 

Energia e resíduos seguem em alta

Enquanto as emissões ligadas ao desmatamento diminuíram, outros setores apresentaram resultados menos favoráveis.

Na agropecuária, as emissões ficaram praticamente estáveis, com uma queda de 0,1%, totalizando 626,3 milhões de toneladas de CO₂ equivalente. A redução na pecuária foi compensada pelo aumento das emissões das atividades agrícolas. A criação de gado de corte continua sendo uma das principais fontes de poluição do setor, principalmente por causa do metano liberado durante a digestão dos animais.

No setor de energia, as emissões cresceram 1,2%, chegando a 427 milhões de toneladas. O aumento foi impulsionado principalmente pelo consumo de combustíveis nos transportes. Em 2025, o uso de diesel subiu 3%, enquanto o de gasolina aumentou 4%.

A geração de eletricidade também registrou alta de 6% nas emissões, apesar da expansão das fontes renováveis. Já o setor de resíduos teve o maior crescimento percentual, com aumento de 3,6%, alcançando 95,7 milhões de toneladas. A maior parte dessas emissões está relacionada à destinação do lixo em aterros sanitários, aterros controlados e lixões.

 

Brasil precisa avançar para cumprir metas futuras

O levantamento aponta que o país reduziu suas emissões brutas em cerca de um quarto nos últimos quatro anos. A expectativa dos pesquisadores é que o Brasil avance ainda mais em 2026, caso a redução do desmatamento continue.

Cálculos preliminares do SEEG indicam que as emissões líquidas podem chegar a 1,23 bilhão de toneladas neste ano, aproximando o país da meta prevista para 2030, de 1,20 bilhão de toneladas.

Apesar da perspectiva positiva, os especialistas alertam que o combate ao desmatamento, sozinho, não será suficiente para cumprir os compromissos climáticos dos próximos anos. Também será necessário reduzir as emissões da agropecuária, dos transportes, da geração de energia e de outras atividades econômicas.