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Mais de 140 celulares são bloqueados em presídios no Rio

Ação utiliza tecnologia para identificar aparelhos e impedir o acesso às redes móveis sem necessidade de apreensão física

divulgação

A Operação Modo Avião identificou e levou ao bloqueio de 143 telefones irregulares em presídios do Rio de Janeiro na última quarta-feira (14). A ação foi a primeira do tipo desde a publicação do Decreto nº 13.136/2026, que permite o bloqueio administrativo dos equipamentos.

Policiais penais federais e estaduais utilizaram equipamentos de inteligência para detectar dispositivos conectados às redes móveis e identificar o IMEI, código individual de cada aparelho. Os dados foram encaminhados à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), responsável pelo bloqueio.

Com a nova regulamentação, as autoridades penitenciárias podem solicitar a restrição sem apreender fisicamente os aparelhos nem obter autorização judicial específica. O bloqueio impede o acesso às redes móveis e também pode atingir smartwatches, roteadores e rastreadores que utilizem essas conexões.

Segundo o secretário nacional de Políticas Penais, André de Albuquerque Garcia, a tecnologia agiliza a identificação dos dispositivos e reforça o combate às comunicações utilizadas pelo crime organizado dentro e fora dos presídios.

A secretária de Estado de Polícia Penal do Rio, Alessandra Odawara, destacou que o estado já realizava bloqueios por determinação judicial, em parceria com o Ministério Público e o Tribunal de Justiça. O Rio também participou de um projeto-piloto de acesso ao sistema da Anatel e passa agora a adotar o procedimento administrativo.

Reforço na fiscalização

A iniciativa se soma às ações da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen) e da Secretaria de Estado de Polícia Penal. Segundo balanço divulgado em setembro, a Operação MUTE havia alcançado 31 presídios fluminenses desde maio, com 299 celas revistadas e 228 celulares apreendidos. As ações mobilizaram 1.019 policiais penais federais e estaduais.

O estado também recebeu equipamentos como drones, scanners corporais, aparelhos de raios X e detectores de metal. De acordo com a Senappen, estão previstos investimentos de R$ 27,7 milhões no Rio até o fim de 2026, com a disponibilização de 153 equipamentos e soluções tecnológicas.

Como funciona o bloqueio

Os policiais utilizam Equipamentos Táticos de Revista Eletrônica (ETREs), transportados em mochilas, para detectar sinais de telefonia móvel dentro dos presídios. Após a identificação dos aparelhos, os dados são enviados à Anatel, com comunicação simultânea ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.

O Centro Nacional de Inteligência Penal, vinculado à Senappen, consolida as informações encaminhadas pelos estados para apoiar a atuação integrada das equipes de inteligência penitenciária.