Uma decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, alterou as regras de recomendação de conteúdos políticos nas redes sociais e abriu espaço para ampliar a circulação de publicações de aliados de Flávio Bolsonaro (PL) na reta final da disputa presidencial contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Em ofício encaminhado às plataformas digitais na sexta-feira (9), o ministro esclareceu que a restrição à recomendação algorítmica deve permanecer apenas para os candidatos que continuam disputando o segundo turno. Com isso, perfis de políticos eleitos na primeira votação, incluindo influenciadores bolsonaristas com milhões de seguidores, voltaram a ter seus conteúdos recomendados automaticamente pelas plataformas.
Mudança libera perfis de políticos eleitos no primeiro turno
A resolução sobre propaganda eleitoral publicada pelo TSE em março proibia as plataformas de recomendar, por meio de algoritmos, perfis e canais declarados oficialmente pelos candidatos à Justiça Eleitoral, assim como os conteúdos publicados nesses espaços.
Na prática, a restrição impedia que as redes ampliassem automaticamente o alcance das publicações para usuários que ainda não acompanhavam aqueles perfis. Para atingir novos públicos, os candidatos precisavam recorrer ao impulsionamento pago, observadas as regras eleitorais.
Inicialmente, as empresas de tecnologia adotaram uma interpretação mais restritiva e decidiram manter o bloqueio das recomendações até o encerramento do segundo turno, inclusive para políticos que já haviam sido eleitos.
No documento enviado às plataformas, o presidente do TSE estabeleceu que “a obrigação de não recomendação mediante algoritmos deve continuar exclusivamente sobre os perfis vinculados aos candidatos que permanecem na disputa do segundo turno”.
O ofício também determina que seja excluído “do bloqueio de algoritmos e da não recomendação quem deixou de ser candidato após o segundo turno”.
Direita concentra 76% dos políticos mais influentes no Instagram
Um estudo da empresa de marketing e análise de dados Zeeng reforça a avaliação de que a nova interpretação tende a beneficiar mais os candidatos apoiados pela direita.
O levantamento analisou os 100 políticos brasileiros mais influentes no Instagram durante o primeiro semestre de 2026.
Desse grupo, 40% pertenciam ao PL, seguido pelo Novo, com 9%, e pelo Podemos, com 8%.
Na divisão ideológica, 55% dos políticos eram classificados como de direita e 21% de centro-direita. A esquerda representava 11%, enquanto o centro reunia 8% e a centro-esquerda, 5%.
A análise considerou o engajamento médio por publicação, calculado a partir do total de interações dividido pela quantidade de postagens realizadas entre janeiro e junho. Os dados foram obtidos por meio da interface oficial de programação do Instagram, da Meta.






