Um dia após o primeiro turno das eleições presidenciais, Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) iniciam, nesta segunda-feira (5), as articulações para a segunda etapa da disputa pelo Palácio do Planalto.
Com 100% das urnas apuradas, Flávio terminou o primeiro turno na liderança, com 47,03% dos votos, enquanto Lula ficou com 45,16%. A diferença entre os dois foi de aproximadamente 2,2 milhões de votos.
O senador deve se reunir no fim do dia, em Brasília, com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), reeleito no primeiro turno com 62,65% dos votos. Tarcísio pretende se dedicar à campanha presidencial de Flávio na segunda etapa da eleição.
Lula também convocou aliados para uma reunião nesta segunda-feira. O presidente acompanhou a apuração em São Paulo e deve retornar a Brasília no início da tarde. A intenção é avaliar o resultado do primeiro turno e definir as estratégias para as próximas semanas.
Um dos principais desafios de Flávio e Lula será conquistar os eleitores dos 10 candidatos que ficaram fora do segundo turno. Juntos, esses concorrentes receberam cerca de 9,3 milhões de votos, o equivalente a aproximadamente 7,81% do total.
A transferência desses votos, no entanto, não é automática. Além das negociações com partidos e lideranças, os dois candidatos terão de buscar diretamente os eleitores que escolheram outras opções no primeiro turno.
O resultado do primeiro turno mostrou uma divisão regional do eleitorado. Flávio Bolsonaro venceu em todos os estados das regiões Sul e Sudeste, além dos estados do Centro-Oeste. Lula, por outro lado, ganhou nos nove estados do Nordeste.
A campanha do segundo turno deverá, portanto, concentrar esforços tanto na manutenção das bases eleitorais já consolidadas quanto na conquista de estados e segmentos em que a diferença entre os candidatos foi menor.
Outro desafio será reduzir a abstenção. Mais de 33 milhões de eleitores deixaram de votar no primeiro turno, no maior índice registrado em quase três décadas.
Após a divulgação do resultado, Lula afirmou que pretende fazer um apelo para que os eleitores que não compareceram às urnas participem do segundo turno.
“Tivemos 28 milhões de pessoas que não votaram e vamos fazer um apelo para que as pessoas saibam que o voto é necessário para decidir o futuro do país”, declarou o presidente.
Flávio Bolsonaro e Lula terão agora cerca de três semanas de campanha para ampliar alianças, conquistar os votos dos candidatos derrotados e mobilizar eleitores que não participaram do primeiro turno. A votação do segundo turno definirá quem comandará o país pelos próximos quatro anos.






