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Toda forma de lixo é encontrada entre os 480 quilos recolhidos na Praia do Flamengo

Cerca de 400 voluntários participaram da ação, que alerta para impactos do plástico na Baía de Guanabara.

Divulgação

A Praia do Flamengo, na Zona Sul do Rio, foi palco neste sábado (19) de um grande mutirão de limpeza em comemoração ao Dia Mundial da Limpeza, celebrado neste domingo (20).

Cerca de 400 voluntários, entre moradores e ambientalistas, percorreram a faixa de areia para recolher resíduos e evitar que o lixo fosse levado para a Baía de Guanabara e para o mar. Ao todo, foram recolhidos 480 quilos lixo.

Em apenas três horas de trabalho, os participantes encontraram objetos de todos os tipos espalhados pela praia. Entre os resíduos recolhidos estavam uma boneca, um ventilador, restos de uma caixa de som, lâmpadas, garrafas plásticas, canudos e fragmentos de plástico.

A ação foi promovida pelo Projeto Tatuí, do Instituto Ecológico Aqualung, em parceria com a Axia Marina da Glória. O objetivo principal foi retirar resíduos, especialmente plásticos de pequenas dimensões, que podem chegar ao oceano e causar danos à fauna marinha.

“Quando a maré volta, ela leva isso de volta para o mar. E a vida marinha não sabe identificar o que é alimento e o que não é alimento”, explicou o presidente do Instituto Ecológico Aqualung, Luca Padovano.
Segundo ele, o problema vai além do plástico visível na areia.

“Qualquer coisa que flutua é considerada alimento. E nós estamos nos alimentando hoje da vida marinha que já está contaminada por plástico. Um dos grandes riscos, além do plástico em si, são os metais usados para dar cor a esses materiais”, afirmou.

A preocupação também envolve os chamados microplásticos, partículas tão pequenas que muitas vezes passam despercebidas. Eles podem ser ingeridos por peixes, aves e outros animais marinhos, entrando na cadeia alimentar.

Durante o mutirão, todo o material recolhido foi separado, pesado e encaminhado para descarte adequado. A mobilização incluiu ainda uma gincana de coleta e atividades de conscientização ambiental.

Para João Fellipe Neves, responsável ambiental da Marina da Glória, a iniciativa busca mostrar que pequenos resíduos podem causar grandes impactos.

A ideia do mutirão é unir forças para conscientizar todo mundo e mostrar a quantidade de microlixo que existe na região”, disse.
Trabalho continua durante todo o ano. A preocupação com o lixo na Baía de Guanabara não se restringe ao Dia Mundial da Limpeza. Segundo a Marina da Glória, resíduos flutuantes que chegam pelo espelho d’água são retirados diariamente. Ao longo de um ano, entre três e quatro toneladas de materiais são recolhidas apenas nessa área.

Na véspera do mutirão, uma ação semelhante realizada na Prainha da Glória reuniu cerca de 60 voluntários e resultou na retirada de aproximadamente 40 quilos de resíduos, principalmente tampinhas plásticas e guimbas de cigarro.

Filhotes de boto viram símbolo da campanha
A edição deste ano do Projeto Tatuí teve como símbolo dois filhotes de boto-cinza que foram avistados recentemente na Baía de Guanabara. A imagem dos animais estampou as camisetas distribuídas aos participantes da ação.

Os filhotes foram registrados por pesquisadores no fim de maio e são vistos como um sinal de esperança para a recuperação ambiental da baía. A população de botos-cinza sofreu forte redução nas últimas décadas devido à poluição, ao intenso tráfego de embarcações e a outros impactos ambientais.

Além do aparecimento dos filhotes, outro sinal positivo citado pelos organizadores é a melhora da qualidade da água na Praia do Flamengo, que voltou a apresentar condições próprias para banho após um longo período de restrições.

Para os participantes, a principal mensagem da mobilização é que a preservação dos oceanos depende de atitudes cotidianas.

“É uma educação continuada. Nada melhor do que educar pelo exemplo”, resumiu o engenheiro naval Jonatas Peixoto, que participou da ação ao lado da filha. “É um prazer acordar cedo, pegar esse sol, caminhar por essa vista maravilhosa do Rio junto dos amigos e fazer bem ao meio ambiente.”