A menos de três semanas do primeiro turno das eleições de 2026, uma parcela reduzida dos candidatos a deputado federal concentra metade dos recursos públicos destinados às campanhas para o cargo. Dos cerca de 7,7 mil concorrentes à Câmara, apenas 579, o equivalente a 7,4% do total, receberam juntos R$ 1,36 bilhão.
Os números fazem parte de um levantamento feito pela Folha de S. Paulo com base na prestação parcial de contas apresentada à Justiça Eleitoral. Segundo o TSE, os dados entregues entre 9 e 13 de setembro abrangem a movimentação financeira das campanhas até 8 de setembro e passaram a ficar disponíveis para consulta pública.
Ao todo, os candidatos a deputado federal arrecadaram R$ 2,76 bilhões em recursos públicos transferidos pelos partidos. Para integrar o grupo que concentra metade desse montante, cada candidatura recebeu mais de R$ 1,58 milhão.
Concentração também aparece nas disputas estaduais
O desequilíbrio na distribuição dos recursos se repete entre os candidatos a deputado estadual e distrital. Os 11,7 mil concorrentes receberam, juntos, R$ 1,1 bilhão. Desse universo, somente 388, cerca de 3%, tiveram repasses superiores a R$ 635 mil e concentraram metade da verba.
O TSE estabelece limites de gastos para cada cargo e circunscrição. Para as eleições deste ano, os valores foram definidos a partir dos parâmetros das eleições gerais de 2022 e divulgados pela Justiça Eleitoral.
A distribuição dos recursos cabe aos partidos, dentro das regras eleitorais. Na prática, candidatos à reeleição e nomes considerados prioritários pelas legendas podem receber parcelas maiores. Entre os 579 candidatos a deputado federal que concentram metade dos recursos públicos, há representantes de 19 partidos. O União Brasil reúne 88 nomes, seguido pelo PL, com 80, e pelo PT, com 79.
Fundos públicos dominam financiamento eleitoral
A prestação parcial mostra que candidatos a todos os cargos arrecadaram R$ 5,3 bilhões. Mais de 85% desse montante, R$ 4,5 bilhões, vieram do Fundo Especial de Financiamento de Campanha. Outros R$ 297 milhões tiveram origem no Fundo Partidário, enquanto R$ 478 milhões correspondem a outras fontes, como doações de pessoas físicas, financiamento coletivo e recursos próprios.
Desde a proibição das doações empresariais, em 2015, os fundos públicos ganharam peso central no financiamento das campanhas. Em 2026, os partidos têm R$ 4,96 bilhões do Fundo Especial para distribuir entre candidaturas. PL, PT e União Brasil receberam as maiores parcelas, com R$ 881,6 milhões, R$ 615,3 milhões e R$ 526,2 milhões, respectivamente.
Flávio e Lula concentram recursos entre presidenciáveis
Na disputa presidencial, as candidaturas declararam R$ 90,6 milhões em recursos públicos. Desse total, 90% estão concentrados nas campanhas de Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Flávio declarou R$ 42 milhões do fundo eleitoral e R$ 2 mil do Fundo Partidário, enquanto Lula recebeu R$ 40 milhões do fundo eleitoral e R$ 150 mil do Fundo Partidário.
Na disputa pelos governos estaduais, os fundos públicos somam R$ 430 milhões distribuídos entre 125 candidatos. O maior valor declarado é o de Douglas Ruas (PL), candidato ao Governo do Rio, com R$ 17,7 milhões. Eduardo Paes (PSD), também concorrente no estado, aparece em seguida, com R$ 16,6 milhões.
Os dados são parciais e ainda podem sofrer alterações até a prestação definitiva das contas. O TSE informa que o DivulgaCandContas permite consultar receitas, despesas, doadores, fornecedores e limites de gastos das candidaturas.






