Começa hoje a Primeira Semana de Arte do Rio com mais de 400 atrações
Rio de Janeiro
Começa hoje a Primeira Semana de Arte do Rio com mais de 400 atrações
Mega-Sena acumula e prêmio vai a R$ 102 milhões
Geral
Mega-Sena acumula e prêmio vai a R$ 102 milhões
Fluminense avança às semifinais da Libertadores mesmo com derrota para o Platense
Esportes
Fluminense avança às semifinais da Libertadores mesmo com derrota para o Platense
Vasco vence Santa Fe e se classifica para a semifinal da Sul-Americana
Esportes
Vasco vence Santa Fe e se classifica para a semifinal da Sul-Americana
Polícia fecha fábrica clandestina de linha chilena na Zona Oeste do Rio
Rio de Janeiro
Polícia fecha fábrica clandestina de linha chilena na Zona Oeste do Rio
Secretário de Defesa dos EUA enfrenta pedido de impeachment por guerra no Irã
Mundo
Secretário de Defesa dos EUA enfrenta pedido de impeachment por guerra no Irã
Setembro ainda terá 65 eventos e impacto de R$ 637 milhões na economia carioca
Rio de Janeiro
Setembro ainda terá 65 eventos e impacto de R$ 637 milhões na economia carioca

Gilmar Mendes e André Mendonça batem boca no STF durante julgamento do caso Master

Gilmar Mendes acusou André Mendonça de adotar viés “político-eleitoral” na condução do caso

Os ministros Gilmar Mendes e André Mendonça bateram boca durante a sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (15), durante o julgamento relacionado ao caso Banco Master. O confronto ocorreu após Gilmar acusar Mendonça de adotar um viés “político-eleitoral” na condução do processo.

“Há um inequívoco viés político-eleitoral na forma como o tema foi conduzido nos autos desta PET 16.662”, afirmou Gilmar. O ministro citou, entre outros pontos, a escolha da data de 7 de setembro e a presença de bonecos com o rosto de Mendonça em manifestações de apoiadores do candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro.

“Teve até pixuleco”, disse o decano.

Mendonça reagiu e afirmou que Gilmar estava sendo “leviano”.

“Está sendo leviano, ministro”, respondeu.

Na sequência, Gilmar afirmou: “Pessoas decentes não fazem isso”.

Mendonça então pediu respeito ao tribunal: “Não aponte o dedo para mim, ministro Gilmar. Não aponte o dedo. Não está falando com qualquer um. Respeite esse tribunal”.

“Quem não se dá respeito não merece respeito”, rebateu Gilmar.

A discussão foi interrompida pelo presidente do STF, Edson Fachin, que havia pedido “serenidade” e “equilíbrio” aos ministros no início da sessão.

O presidente afirmou que divergências entre os integrantes da Corte são legítimas, mas que não devem se transformar em confrontos pessoais.

“A divergência é legítima. O confronto pessoal, não. E a decisão pertence ao plenário, não a um ministro individualmente”, afirmou Fachin.

O ministro também ressaltou que nenhum integrante da Corte deve falar individualmente em nome do Supremo.

“Não será qualquer um de nós que falará pelo Supremo, mas o plenário. Peço equilíbrio”, disse.

Nunes Marques se declara impedido

Durante a sessão, o ministro Nunes Marques declarou-se impedido de participar do julgamento do relatório da Polícia Federal que reúne mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro com Alexandre de Moraes.

A decisão ocorreu após a divulgação de diálogos que citam pagamentos de Vorcaro ao filho do ministro, o advogado Kevin Marques.

Nunes Marques afirmou que nunca julgou processos relacionados ao Banco Master e disse não ter trocado mensagens com Vorcaro.

O ministro também declarou que sua decisão de confirmar a prisão de Daniel Vorcaro, do pai dele e de outras pessoas investigadas demonstra sua isenção no caso.

Toffoli também deixa julgamento

O ministro Dias Toffoli também anunciou que não participará da deliberação sobre o caso envolvendo as mensagens de Vorcaro e Moraes. Segundo ele, a decisão ocorreu por “questão de foro íntimo”.

Toffoli foi relator do caso Master antes de o processo chegar às mãos de André Mendonça.

O ministro deixou a relatoria depois de reconhecer que é sócio da empresa Maridt, que vendeu uma participação no resort Tayayá, no Paraná, para um fundo ligado ao cunhado de Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel.

Toffoli afirmou que declarou à Receita Federal os valores recebidos na negociação e negou ter recebido qualquer valor de Vorcaro ou de seu cunhado.

Gilmar e Dino questionam relatoria de Fachin

Durante a sessão, Gilmar Mendes e Flávio Dino também questionaram a decisão de Edson Fachin de assumir a relatoria do caso envolvendo as mensagens de Vorcaro para Alexandre de Moraes. Fachin passou a conduzir o procedimento depois de retirar André Mendonça da relatoria.

Gilmar afirmou que havia sugerido que Fachin atraísse a PET 16.662 para a Presidência do STF apenas para delimitar o objeto do julgamento, e não para assumir definitivamente a relatoria.

Dino concordou com a crítica e afirmou que aceitar a chamada “avocatória” poderia abrir espaço para concentração de poder dentro dos tribunais.

Entenda o caso Master

A Polícia Federal elaborou um relatório por determinação de André Mendonça, relator de investigações relacionadas ao Banco Master. O documento foi encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR) e desencadeou uma série de decisões, ofícios e acusações entre integrantes do STF.

O material reúne informações extraídas do celular de Daniel Vorcaro, incluindo mensagens que envolvem Alexandre de Moraes e outras autoridades. O conteúdo provocou uma disputa dentro do Supremo sobre o acesso às informações apreendidas e sobre o grau de sigilo que deve ser aplicado ao material.

Moraes acusou Mendonça de ter atuado de forma “inconstitucional e ilegal” e negou ter favorecido Vorcaro. O julgamento desta terça-feira deve definir os próximos passos relacionados às mensagens. A análise pode ser interrompida caso algum ministro peça vista. Nesse caso, o processo deverá ser devolvido para julgamento dentro do prazo regimental.

A crise também envolve a atuação da Polícia Federal, da PGR e da Advocacia-Geral da União (AGU), além de questionamentos sobre a conduta de ministros do próprio Supremo.

Na próxima semana, no dia 23 de setembro, os ministros deverão voltar a se reunir para analisar um pedido de investigação contra André Mendonça.